sábado, 16 de julho de 2011

Portas fechadas, nº 1.

Talvez eu deva ser um pouco mais idiota. Essas idiotas que quando se apaixonam ficam se vangloriando, ficam se expondo tanto que acabam sendo idiotas. Mas são idiotas apaixonadas. Eu já fui uma vez assim, desde então nunca mais, quando percebi o quanto isso era errado (para mim). Quando eu me tornei uma idiota apaixonada, eu abri portas que não deveriam ter sido abertas, sabe? Eu deixei com que entrassem e assim fui atacada. Pegaram meu coração e o destroçaram sem nenhum pudor e saíram ilesos. Demorei 2 anos para me recuperar e fechei mais uma vez a porta. Desde então, prometi a mim mesma que nunca mais seria uma idiota apaixonada. E não fui, até que lhe encontrei. Porém continuei com minha promessa, jamais abrir minha porta, e não abri. Você interpretou a minha porta fechada como se fosse uma indiferença a você, ao que você sentia e muito pior, que eu sentia vergonha de ti. Eu sempre tive esse mania de idealizar o que eu sentia, sabe? Eu idealizei o que eu sentia por você. Para mim, o nosso amor deveria ser protegido, porque desde quando nos conhecemos tive um medo imenso de que ele acabasse. Eu me afastei muitas vezes por ter medo do que iria se tornar, você poderia ter uma cópia da chave da minha porta e isso era tão assustador. Quanto mais tempo se passou o meu amor foi se idealizando e se tornando essa coisa monstruosa que é hoje. Porque você conseguiu a cópia da chave. E entrou, droga, eu me tornei outra vez uma idiota apaixonada e quando eu percebi já era tarde. Creio que você também idealizou muito o nosso amor, e quando você entrou se decepcionou do que viu, percebeu que aqui dentro não há nada e essa super proteção que eu tinha era só fachada. É, eu tenho essa mania de dar vida imaginária ao que é morto. Nesse dois últimos dois meses tenho sido uma idiota e olha o que aconteceu, entraram outra vez aqui e destroçaram meu coração. Eu quebrei minha promessa pra mostrar o que eu sentia, só que você não conseguiu me ver além dessa vez. Não, você não quis me ver. Mas eu não posso te fazer abrir os olhos, não sou eu que tem que fazer isso, e sim você. Eu me levantei, fechei a porta e a tranquei. Dei a chave a um estranho que conheci esse mês. Espero nunca mais voltar aqui.
Talvez a resposta esteja realmente além da porta amarela, porém estou cansada de abrir e fechar portas.

Um comentário:

  1. Muito bom seu texto. Li duas vezes e fiquei encantada com tua forma de escrever. Sem mais :3

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